A classificação de dados é um dos pilares da segurança da informação, pois permite que as organizações identifiquem o valor e a sensibilidade das informações que possuem, aplicando controles proporcionais aos riscos. Sem uma classificação adequada, dados críticos podem ser expostos inadvertidamente, enquanto dados públicos podem ser submetidos a restrições desnecessárias, gerando ineficiência.

Nesta aula, exploraremos as três categorias principais de classificação — dados sensíveis, públicos e internos — e como implementar armazenamento seguro para cada uma delas, seguindo boas práticas e normas como a ISO 27001 e a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

Dados sensíveis

Dados sensíveis são aqueles cuja divulgação não autorizada, alteração ou destruição pode causar danos significativos a indivíduos ou à organização. Exemplos incluem informações pessoais como CPF, dados bancários, registros médicos, segredos comerciais e credenciais de acesso. A proteção desses dados é frequentemente exigida por leis (LGPD, GDPR) e regulamentações setoriais.

O tratamento de dados sensíveis requer controles rigorosos: criptografia em repouso e em trânsito, controle de acesso baseado em funções (RBAC), auditoria de acessos e políticas de retenção e descarte seguros. Além disso, é essencial realizar avaliações de impacto à proteção de dados (DPIA) e obter consentimento explícito quando necessário.

Exemplo de política para dados sensíveis:
- Criptografia AES-256 para armazenamento.
- TLS 1.2+ para transmissão.
- Acesso apenas por pessoal autorizado com justificativa.
- Logs de acesso mantidos por 5 anos.
- Descarte com destruição física ou sobrescrição múltipla.

Dados públicos

Dados públicos são informações que podem ser divulgadas livremente sem causar danos à organização ou a terceiros. Exemplos incluem materiais de marketing, relatórios anuais, comunicados de imprensa e dados estatísticos agregados. Embora não exijam controles rigorosos, ainda assim devem ser protegidos contra adulteração (integridade) e estar disponíveis quando necessário (disponibilidade).

Para dados públicos, as principais preocupações são garantir que não contenham inadvertidamente informações sensíveis (vazamento acidental) e manter a autenticidade. Medidas como assinaturas digitais em documentos oficiais e validação de fontes são recomendadas. O acesso pode ser irrestrito, mas a publicação deve seguir um processo de aprovação.

Exemplo de política para dados públicos:
- Revisão antes da publicação para evitar dados sensíveis.
- Uso de assinaturas digitais para garantir integridade.
- Armazenamento em servidores públicos com CDN.
- Sem necessidade de criptografia, mas com checksums.

Dados internos

Dados internos são informações de uso restrito à organização, cuja divulgação não autorizada pode causar prejuízos operacionais ou competitivos, mas não danos críticos. Exemplos incluem memorandos internos, estratégias de negócios, manuais de procedimentos e bases de dados de clientes (não sensíveis).

Esses dados exigem controles de acesso baseados em necessidade de conhecimento (need-to-know), autenticação forte e monitoramento de uso. A criptografia pode ser aplicada se houver risco de interceptação, mas o foco principal está na prevenção de vazamentos internos por funcionários descontentes ou descuido. Treinamentos de conscientização são fundamentais.

Exemplo de política para dados internos:
- Acesso restrito a departamentos específicos.
- Autenticação multifator (MFA) para sistemas críticos.
- Classificação visível nos documentos (ex.: "Interno").
- Proibição de compartilhamento externo sem aprovação.
- Logs de acesso e tentativas de exfiltração.

Armazenamento seguro

O armazenamento seguro envolve a aplicação de controles técnicos e procedimentais para proteger dados em repouso, independentemente de sua classificação. Para dados sensíveis, a criptografia é obrigatória; para dados internos, é recomendada; para dados públicos, a integridade é prioridade. Além disso, devem ser implementadas cópias de segurança (backups) e planos de recuperação de desastres.

Práticas comuns incluem: uso de sistemas de arquivos criptografados (LUKS, BitLocker), gerenciamento de chaves com hardware security module (HSM), armazenamento em ambientes com controle de acesso físico e lógico, e políticas de retenção alinhadas à legislação. A nuvem exige cuidados adicionais, como criptografia do lado do cliente e contratos com cláusulas de proteção de dados.

Exemplo de configuração de armazenamento seguro:
- Disco criptografado com LUKS (AES-XTS-256).
- Chave armazenada em HSM ou cofre de chaves.
- Backups diários com criptografia individual.
- Acesso via VPN ou rede interna segregada.
- Auditoria mensal de permissões.

Referências

Exercícios

  1. Identifique qual classificação se aplica a cada item: (a) senha de administrador do sistema, (b) cardápio do refeitório da empresa, (c) relatório de vendas internas do trimestre.

    ✓ Resposta: (a) Sensível, (b) Público, (c) Interno.
  2. Cite duas medidas de segurança obrigatórias para dados sensíveis segundo a LGPD.

    ✓ Resposta: Criptografia em repouso e em trânsito; controle de acesso baseado em funções (RBAC).
  3. Explique por que dados públicos ainda precisam de proteção de integridade.

    ✓ Resposta: Para evitar que terceiros maliciosos alterem informações oficiais (ex.: comunicados de imprensa), garantindo que o conteúdo recebido pelo público seja autêntico.
  4. Descreva duas práticas de armazenamento seguro para dados internos em um servidor de arquivos.

    ✓ Resposta: (1) Configurar permissões de acesso baseadas em grupos de usuários (somente leitura/escrita conforme necessidade). (2) Habilitar logs de auditoria para monitorar acessos suspeitos.
  5. Qual a diferença entre criptografia em repouso e em trânsito? Dê um exemplo de cada.

    ✓ Resposta: Criptografia em repouso protege dados armazenados (ex.: disco criptografado com LUKS). Criptografia em trânsito protege dados durante a transmissão (ex.: HTTPS/TLS).